terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010

Impulse...

E se de repente começares a ouvir "Dancing queen" dos ABBA em versão pan pipe?
Isso é...Rossio!

sábado, 6 de Fevereiro de 2010

Há duas situações que, por muito corriqueiras que sejam, não cessam de me espantar.
A primeira delas é a desenvoltura que as cabeleireiras têm na sua relação com o seu cliente. Mal pegam nos nossos cabelos e são imediatamente as nossas melhores amigas. Não dos nossos cabelos mas nossas amigas íntimas. Ou assim desejam. Querem saber tudo acerca de nós, inundam-nos com perguntas pessoais que as nossas mães ou tias têm o pudor de verbalizar.
Mais curioso ainda é que quando inquiridas acerca das várias funções do seu mister, respondem, não raras vezes que são como que “psicólogas”. Não sei qual o plano curricular do curso de cabeleireiro mas não estou a ver o Eduardo Beauté deitado numa cadeira a fazer análise. Assim, de repente, não me parece viável.
Se eu quiser ir a um psicólogo não vou procurar nas “Páginas Amarelas” pelo “Tina & Sandra Coiffure” e muito menos pelo “Rosy Day Spa”...lamento, mas não vou. Estou fortemente inclinada a ir à letra “P”...de psicólogo. É uma mania que eu tenho: seguir a lógica das funções atribuídas a cada profissão mas pode ser teimosia pura.
Outra situação que me causa cada vez mais espécie é a entrada para os transportes públicos. Não querendo parecer redundante, trago a lume este assunto pois parece-me que o (mau) comportamento habitual se tem vindo a agudizar.
Um dos comportamentos em questão é o que designei como “efeito aba”. Não, não é publicidade velada a nenhum operador ligado a uma espécie felina. Reporta-se à fila descoordenada que se cria enquanto esperamos por um transporte. Se repararem, chegamos a uma paragem de autocarro, olhamos para ver onde começa a fila e, qual não é o nosso espanto, quando percebemos que não sabemos onde nos colocar pois a fila é qual linha paralela sem início ou fim. A fila está lá, nós estamos lá mas por mais voltas que demos, não sabemos onde começa ou termina. Como que entre abas protectoras, encontramo-nos perdidos na indecisão de avançarmos e passarmos à frente de alguém ou recuarmos e deixarmos que nos passem.
Coloca-se então a questão: Primeiro a paragem ou o peão?. A própria noção de prioridade é aqui posta em causa. Todavia, isso não impede os mais audazes de se lançarem carreira dentro e assim atingirem a glória do lugar para os passageiros portadores de deficiência, idosos ou mulheres grávidas. Ah, o lugar mais cobiçado, não fosse ele o fruto proibido. E assim, finos e seguros, na nossa “aba-redoma” nos aventuramos nós, dia-a-dia, por paragens constantemente conspurcadas.

Vanessa Limpo

in "expresso Sem Mais", edição de 6 de Fevereiro de 2010.

quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Desformatando...

Dar, texto, pele, suave, palavra, não-rima, não-dor,sorriso, riso, tímido, caneta, troca, sabor, tempo, sentido, procura, (des)bloqueio, interior, explorar, letras, sons, olhos, olhar, mesa, chão, chá, círculo, medo(s), mãos, rostos.

E Lisboa a olhar para (por) nós.

quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010

Sketches



Norman Rockwell


Sorry Society: although I like the paintings, they're not the right sketch for me.

sábado, 30 de Janeiro de 2010

O lugar de existir

"(..) ter memória é como ter coragem (...) Porque é preciso ter coragem para nos entregarmos e amarmos alguém incondicionalmente. Para abrir um espaço para que alguém ocupe a nossa memória, o nosso lugar de existir."

Valter Hugo Mãe in "Visão".

sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010

Hidden talent

Aluno do 11º ano: "Stôra: a stôra domina nas chavetas...olhem-me só para esta categoria!".

E ri-me, tanto, tanto, tanto...

quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Manifesto anti-"tuguice aguda"...

- Pessoas que dizem "treuze".

- Pessoas que dizem "espilrrar" e não "espirar".

- Os que dizem "Sport" para identificar o clube futebolístico de Alvalade.

- Os que dizem "foi" em vez de "fui".

- Indivíduos que "destrocam" dinheiro e "controlam" rotundas (não vá a rotunda ter bebido uns copos e desgovernar-se de todo).

- As pessoas que continuam a fazer kickboxing na gramática confundindo o "há" com o "à".

- Os seres que "cortam" no açúçar e pedem adoçante e depois mergulham as papilas gustativas num interminável "Mil folhas".

- Os indivíduos que se levantam do seu lugar no metro, quando este ainda se encontra em movimento e depois, com o maior espanto do mundo, nos pedem desculpa por se aperceberem que o seu saco estomacal decidiu visitar o nosso rosto por breves momentos.

- Pessoas que encontrando-se algo confusas com a sua lateralidade, decidem assentar arraiais nas paragens dos transportes, "estacionando" tanto à esquerda como à direita da paragem, criando uma fila que não se sabe onde começa ou termina.
No entanto, a entrada para o transporte tem sempre um final...infeliz.

- Por último: pessoas que palitam os dentes/cortam as unhas/ penteiam-se/maquilham-se/gritam ao telemóvel em espaços públicos.
Eu não preciso nem quero, de todo, saber o que vão comer ao jantar,para onde vai a prima, o que a sogra disse deles ou como se chamam os seus filhos, maridos, amantes, concubina/os e demais entes queridos. São seus, não meus e muito menos de Lisboa inteira!

Tenho dito. PIM!!!

terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

So eighties...

object width="425" height="344">

Se esta senhora não é a personificação dos eighties...

domingo, 24 de Janeiro de 2010

Waiting for Godot...



Acabadinho de entrar para o meu top de filmes de sempre...
Bom, muito bom!

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Mirrors

A actriz falava da sua antiga dependência..."usou" durante anos.
Estava sem maquilhagem, a nu do outro "pó" que cega tanta gente: o da imagem, do aspecto, do look que nos inunda dos dias.
Gostei de a ouvir, despida de cosmética e certezas. Havia muita Dúvida nas suas palavras, daí o seu discurso soar a Verdade.
"Usou", não se orgulha mas não o esconde. A família chegou a uma altura em que a encostou à parede: "temos outros tantos filhos, portanto, a partir de agora faz o que quiseres contigo, não vamos compactuar mais".
Ainda hoje ela lhes agradece estas palavras. Duras. Cruas. Nuas como o seu rosto agora. Ela sabe já que as palavras certas não rimam com a melodia que queremos ouvir. As palavras certas são as que nos fazem Ver. Para além. Para dentro.
De nós.
Não acredito que a sua viagem tenha sido fácil. Nenhuma viagem o é. Nenhuma vida o é. Tem uma filha agora. Diz que deseja que a filha se orgulhe dela. Pelo o que é. Não lhe vai esconder o seu passado, nem o deseja. O mesmo quer num homem. Não a pode aceitar sem conhecer o seu passado. Sem esse bocado de história. Sem esse tecido de vida.
Diz ainda que aprende com os erros dos outros. Espera que o seu erro sirva para despertar muita gente do torpor que ela mesma viveu. Muita gente pode não concordar com isto. Eu concordo. Aprendemos com os nossos erros, é certo. Contudo aprendemos assim tanto? Mudamos assim tanto depois do Erro? Não o creio. Voltamos, muitas vezes, a cometer os mesmos erros. As mesmas derrapagens. Nos outros e em nós.
Ao ver o erro no Outro, somos confrontados com os nossos próprios. Uma espécie de efeito-espelho.
Não funciona com toda a gente, é um facto. A mim ajuda. E vou assim criando espelhos em mim, reflectores. Nem sempre gosto do que vejo, do que sinto.
Por vezes o espelho torna-se pesado, turvo. Ainda bem. É sinal que me faz pensar. Crescer. Dentro de mim. Espero também que um pouco nos Outros. Não em todos. Apenas naqueles em que procuro ver um pouco de mim reflectida.
E por falar nisso, vou agora para outro sítio.
À procura de um (bom) foco de luz.